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Casa Branca e seus cinemas

Do Cine Pavilhão, em frente ao Fórum, ao Cine Teatro interditado desde 2017, Pedro Ozorio relembra as salas que marcaram a vida cultural da cidade.

Pedro Ozorio
· 4 min de leitura
Cine Teatro Casa Branca

Cine Teatro Casa Branca

O Cine Central foi um dos maiores símbolos da era de ouro cultural de Casa Branca, SP, localizado na Rua Coronel José Júlio, no Centro. Junto com o Cine Popular e o Cine Casa Branca (o único cujo prédio ainda resiste), ele formava o trio de cinemas que movimentava a juventude e a vida noturna da cidade nas décadas passadas.

O espaço trazia uma forte carga histórica e nostálgica para os moradores:

Ponto de Encontro: O cinema ficava estrategicamente posicionado no coração do Centro, ao lado do antigo Bar Central (onde hoje ficam as Lojas Cem) e próximo à antiga Casa Vicenza (atual Bradesco). Ele ditava o ritmo dos finais de semana na cidade.

A Dinâmica das Exibições: Moradores relembram com saudade as tradicionais matinês de domingo, os filmes de faroeste (bangue-bangue) e os romances. Havia também a famosa “Sessão do Troco” às quartas-feiras. O fluxo era tão intenso que às vezes fitas de rolo de filmes de sucesso (como os dos Beatles ou do cantor Eduardo Araújo) eram exibidas de forma simultânea ou alternada entre o Cine Central e os outros cinemas da cidade.

Proprietários: Por décadas, pertenceu à empresa de Antenor Antônio Corsi, um conhecido exibidor que gerenciava também salas em cidades vizinhas como Tambaú e Divinolândia.

Hoje, a estrutura interna original foi completamente desmanchada e reformulada em um projeto de adequação urbana. Hoje, o terreno abriga uma galeria comercial de lojas, restando apenas na memória dos casa-branquenses a lembrança do antigo letreiro e das filas que se formavam na calçada para garantir o ingresso.

Cine Central
Cine Central

O Cine Pavilhão (frequentemente lembrado como o cinema “em frente ao Fórum”) ocupa uma página fascinante e anterior à do Cine Central e do Cine Popular no livro de memórias de Casa Branca, SP. Diferente das salas de projeção tradicionais em prédios de alvenaria fechados que se consolidaram a partir do meio do século XX, o Cine Pavilhão tinha características bem particulares:

Estrutura de Época: Como o próprio nome sugere, funcionava em um pavilhão (muitas vezes construções com estruturas de madeira, zinco ou lona mais arejadas e adaptáveis), algo muito comum nas primeiras décadas do cinema no início do século XX.

A Localização Estratégica: Ficava situado bem no coração cívico da cidade, na área central e bem diante da icônica Praça Ministro Costa Manso, onde fica o imponente prédio do Fórum de Casa Branca. Naquele tempo, a praça e o entorno do Fórum concentravam o fluxo social e o footing dos moradores.

O Cinema Pioneiro: Ele operou em uma era em que o cinema ainda dividia espaço com companhias de teatro mambembe, circos e apresentações de variedades. Era o local onde as famílias se reuniam para assistir aos primeiros filmes mudos acompanhados de música ao vivo (geralmente piano ou pequenas bandas locais) e, posteriormente, às primeiras fitas sonoras.

Hoje, o Pavilhão já não existe fisicamente, mas a lembrança de cruzar a praça do Fórum para assistir às exibições ainda vive nas histórias contadas pelos cronistas e famílias mais antigas de Casa Branca.

Cine Pavilhão
Cine Pavilhão

O Cine Teatro Casa Branca, originalmente conhecido apenas como Cine Casa Branca, é o último grande remanescente físico da era de ouro das salas de exibição da cidade. Diferente do Cine Central e do Cine Popular, que foram demolidos ou transformados, o imponente prédio do Cine Teatro (localizado na Rua Lúcio Leonel, 449) ainda resiste de pé, carregando um valor histórico imensurável.

O espaço tem uma trajetória marcante de cultura e desafios:

Gestão e Acessibilidade: Após o fim do circuito comercial privado de cinema na cidade, o prédio passou a ser de propriedade da Prefeitura Municipal. Sob a gestão pública, ele funcionou por muitos anos como um polo multicultural, exibindo peças teatrais, shows de dança, formaturas e sessões de cinema a preços populares (onde toda a bilheteria era revertida para a manutenção do próprio local).

A Interdição (2017): Em 2017, o local precisou ser interditado às pressas após placas do forro do teto se soltarem e caírem. Diante do risco estrutural grave no telhado e na fiação, o cinema foi fechado por questões de segurança pública.

Luta pela Reabertura: O abandono e a espera pela reforma se tornaram uma das maiores cobranças da população de Casa Branca. Em 2022, uma lei municipal autorizou um financiamento milionário voltado à restauração completa do prédio. Recentemente, comissões de vereadores e secretários vêm vistoriando o local e pressionando os projetos de licitação para que a estrutura do telhado seja inteiramente trocada e o espaço reabra modernizado como um verdadeiro Centro Cultural.

Atualmente, as exibições físicas no prédio histórico continuam suspensas aguardando a finalização dessas obras públicas. Deixo de relatar que também existiram mais dois cinemas: o Cine Flor e o Cine São José.

Cine Teatro Casa Branca
Cine Teatro Casa Branca

Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a posição do Diário de Casa Branca.

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