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História de Casa Branca

Casa Branca nasceu como parada de tropeiros no caminho para Minas e Goiás, virou freguesia em 1814 e chegou a ser sede de um território enorme no nordeste paulista. Conheça os principais marcos da história da cidade.

A casa caiada que deu nome à cidade

A região cortada pelos rios Mogi Guaçu e Pardo foi percorrida pelas bandeiras no século XVII, e a tradição diz que por ali passou também Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera. Os registros de Casa Branca como povoação, porém, só aparecem no fim do século XVIII.

O nome vem de uma pequena casa caiada de branco que ficava ao lado de um pouso de tropeiros a caminho de Minas Gerais e Goiás, “aquém do ribeirão espraiado que banha a cidade”, segundo o historiador Lafayette de Toledo. Conta-se que era a pousada de um homem chamado Nazaré, que hospedava quem seguia pela estrada real.

Casarão antigo de dois andares, amarelo com janelas azuis, em Casa Branca
Casarão antigo de Casa Branca, exemplo da arquitetura tradicional da cidade. Foto: Eurico Zimbres (CC BY-SA 3.0)/Wikimedia Commons

De freguesia a cidade

  • 1814: por Resolução Régia de 15 de março e Alvará de 25 de outubro, o povoado vira freguesia (distrito) de Nossa Senhora das Dores de Casa Branca, ainda pertencente a Mogi Mirim. É por causa do alvará que o aniversário da cidade é comemorado em 25 de outubro.
  • 1841: a lei provincial nº 15, de 25 de fevereiro, eleva Casa Branca a vila, separada de Mogi Mirim. A instalação acontece em 1842.
  • 1872: a lei provincial nº 22, de 27 de março, dá a Casa Branca a condição de cidade.
Fachada da Igreja Matriz de Casa Branca, com duas torres e colunas
Igreja Matriz de Casa Branca, construída em 1893. Foto: Eurico Zimbres (CC BY-SA 3.0)/Wikimedia Commons

Os açorianos de Casa Branca

Em meados de 1815, logo depois da criação da freguesia, chegaram a Casa Branca cerca de 20 casais vindos das ilhas dos Açores, atendendo a um decreto do príncipe regente D. João. A ideia era fixar colonos agricultores no caminho de Goiás. Cada família recebeu casa, ferramentas e terras cobertas de mata.

A experiência durou pouco. Ainda em 1815, parte dos colonos reclamou que as terras eram ruins para a lavoura e foi a pé até o Rio de Janeiro pedir ao príncipe outro lugar para viver. Muitos acabaram transferidos para Cubatão, São Paulo e outras localidades. Quando o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire passou por Casa Branca, em 1819, encontrou uma rua de 24 casas construídas para os açorianos e registrou que a povoação tinha ficado quase deserta.

Um território do tamanho de uma região

No século XIX, o território de Casa Branca abrangia áreas que hoje formam os municípios de São Simão, Cajuru, Mococa, Santa Rita do Passa Quatro, São José do Rio Pardo, Santa Cruz das Palmeiras e Caconde. Com o tempo, esses distritos foram ganhando autonomia. Caconde se separou em 1864, e Itobi, criado como distrito de Casa Branca em 1898, virou município em 1959.

Mapa antigo de 1905 com Casa Branca, Itobi, São José do Rio Pardo e São João da Boa Vista
Folha de Casa Branca do mapa da Comissão Geográfica e Geológica do Estado de São Paulo, edição de 1905, com a cidade e a região ao redor. Imagem: Acervo do Museu Paulista da USP (domínio público)/Wikimedia Commons

Os trilhos da Mogiana

A vocação de Casa Branca como ponto de encontro de caminhos se confirmou com a chegada da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, que tinha na cidade a bifurcação entre a linha tronco e o ramal para Minas Gerais. A ferrovia marcou a economia e a paisagem urbana, e a cidade ainda guarda prédios da época.

Antiga estação ferroviária de Lagoa Branca, com plataforma e trilhos
Antiga estação ferroviária de Lagoa Branca, distrito de Casa Branca. Foto: Otavio Barreira (CC BY-SA 3.0)/Wikimedia Commons

Tradição na educação

Casa Branca também se destacou na área social e cultural. A cidade abriga um dos mais antigos estabelecimentos de ensino normal (formação de professores) do estado, o Instituto de Educação Dr. Francisco Thomaz de Carvalho.

Prédio da escola estadual Dr. Francisco Thomaz de Carvalho, em Casa Branca
Prédio da escola Dr. Francisco Thomaz de Carvalho, construído no fim da década de 1920. Foto: Eurico Zimbres (CC BY-SA 3.0)/Wikimedia Commons

Lagoa Branca e Venda Branca

Além da sede, o município tem hoje dois distritos. Lagoa Branca foi criado em 1934 com o nome de Lagoa, passou a se chamar Ipaobi em 1944 e recebeu o nome atual em 1948. Venda Branca foi criado como distrito em 1981.

Casa Branca hoje

Quem nasce em Casa Branca é casa-branquense. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o município tinha 28.083 moradores, numa área de cerca de 865 km².

Coreto amarelo na praça principal de Casa Branca
Coreto da praça principal de Casa Branca. Foto: Eurico Zimbres (CC BY-SA 3.0)/Wikimedia Commons

Para saber mais: busque o CEP da sua rua e consulte os telefones úteis de Casa Branca.

Fontes: IBGE, Histórico e Formação Administrativa de Casa Branca; Revista da ASBRAP nº 10, “Documentos sobre a história de Casa Branca, SP (1815-1818)”, de Manoel Valente Barbas; IBGE, Censo Demográfico 2022. Fotos: Wikimedia Commons, com autores e licenças indicados em cada imagem.