As urnas de domingo (4) deram às lideranças de Casa Branca (SP) uma medida de força política a dois anos da eleição municipal de 2028. O Diário de Casa Branca reuniu quantos votos cada nome conseguiu para o deputado que apoiou e comparou os números com as eleições de 2022 e 2024. O empresário e ex-vereador Antonio Serafim teve o maior volume, 834 votos, para o filho, Matheus Serafim (PP), que não se elegeu. O presidente do PL em Casa Branca, Thiago Damaceno, somou 744 votos para Barros Munhoz (PSD), reeleito. O secretário de Governo, Serginho, único nome da gestão na lista, teve 275 votos.
As oito lideranças somaram 2.945 votos. É uma fração do eleitorado, mas é o primeiro teste nas urnas desde 2024.
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O placar das lideranças
- Antonio Serafim, empresário, ex-vereador e ex-candidato a prefeito: 834 votos para Matheus Serafim (PP). Não eleito.
- Thiago Damaceno, presidente do PL local, ex-vereador e ex-candidato a prefeito: 744 votos para Barros Munhoz (PSD). Eleito.
- Fabiana Sandoval, presidente da Câmara: 475 votos para Luiz Fernando Teixeira (PT). Eleito.
- Marco César, ex-prefeito: 337 votos para Rui Falcão (PT), deputado federal. Não eleito.
- Serginho, secretário de Governo: 275 votos para Rômulo Rippa (PSD). Não eleito.
- Carlão Casalli, ex-vereador e ex-candidato a vice-prefeito: 138 votos para Thiago Auricchio (PL). Eleito.
- Colombini, vice-prefeito rompido com o prefeito: 122 votos para Gilmaci Santos (Republicanos). Eleito.
- Marcos Monteiro, ex-candidato a prefeito: 20 votos para Paulo Alexandre Barbosa (PSD), deputado federal. Eleito.
Volume e peso são medidas diferentes
O número absoluto mostra a capacidade de mobilização de cada liderança. O peso desses votos na votação total do deputado mostra quanto o apoio conta para o gabinete.
O peso de cada liderança de Casa Branca na votação do candidato apoiado ficou assim. Os 834 votos de Antonio Serafim equivalem a cerca de 20% do total de Matheus Serafim, que teve 4.081 votos no estado e não se elegeu. Os 337 de Marco César equivalem a 0,32% dos 106.443 votos de Rui Falcão, e os 275 de Serginho, a 0,67% dos 40.873 de Rômulo Rippa. Nenhum dos dois deputados se elegeu. Entre os eleitos, os 744 votos de Damaceno equivalem a 0,64% do total de Barros Munhoz, que teve 116.413 votos. Os 475 de Fabiana Sandoval somam 0,50% da votação de Luiz Fernando Teixeira, que teve 94.901. Os 138 de Casalli representam 0,23% dos 59.942 votos de Thiago Auricchio. Os 122 de Colombini equivalem a 0,18% dos 66.474 de Gilmaci Santos. Os 20 de Monteiro representam 0,01% dos 168.207 votos de Paulo Alexandre Barbosa.
Abaixo de 0,30%, o apoio de Casa Branca tem pouco peso no resultado do deputado. A relação existe, mas tende a ser de apoio pontual, não de aliança com compromisso de entregas para a cidade. O caso de Serafim é diferente. O peso alto vem de uma candidatura com votação menor, concentrada em Casa Branca, e não de influência sobre um mandato.
Quanto do voto de 2024 virou voto em 2026
A eleição para prefeito de 2024 oferece uma terceira medida. Ela mostra quanto do eleitorado de cada candidato acompanhou a indicação para deputado dois anos depois.
Thiago Damaceno ficou em quarto lugar para prefeito em 2024, com 2.066 votos. Em 2026, levou 744 para Barros Munhoz, cerca de 36% da votação anterior. Antonio Serafim teve 2.934 votos em 2024, o terceiro lugar, e levou 834 para o filho, cerca de 28%.
Marcos Monteiro ficou em segundo lugar para prefeito, com 3.523 votos. Em 2026, entregou 20, menos de 1%. Boa parte da votação de 2024 não acompanhou a indicação de Monteiro para deputado.
A chapa vencedora, de Duzão (PSD) e Colombini, somou 4.295 votos. Serginho levou 275 para seu candidato, cerca de 6% desse total. Colombini, hoje rompido com o prefeito, levou 122, cerca de 3%.
O que mudou em relação a 2022
A eleição de 2022 permite comparar a votação dos mesmos deputados em Casa Branca. Três candidatos apoiados por lideranças locais em 2026 aparecem entre os dez mais votados na cidade naquele ano.
Barros Munhoz, então no PSDB, teve 373 votos em Casa Branca em 2022. Em 2026, com o apoio de Thiago Damaceno, chegou a 744. A votação quase dobrou, com 371 votos a mais.
Luiz Fernando Teixeira (PT) teve 621 votos na cidade em 2022 e 475 em 2026, com apoio de Fabiana Sandoval. A queda foi de cerca de 24%.
Thiago Auricchio (PL) teve 548 votos em Casa Branca em 2022, o quarto maior número da cidade. Em 2026, com apoio de Carlão Casalli, somou 138. A queda foi de 75%.
Serafim: o maior volume, sem mandato aliado
Antonio Serafim teve a maior votação da cidade em uma campanha familiar. Os 834 votos mostram uma base própria, construída na Câmara e no meio empresarial. Matheus Serafim somou 4.081 votos no estado. O sobrenome ganhou exposição. Com Matheus fora da Assembleia, a família não terá um gabinete estadual para levar demandas de Casa Branca até 2030.
Damaceno: peso junto a um eleito e vínculo com o mandato
Thiago Damaceno teve o maior peso de uma liderança de Casa Branca na votação de um deputado eleito, 0,64%, e a maior taxa de transferência em relação a 2024. O resultado tem um contexto. Damaceno é assessor parlamentar de Barros Munhoz. O deputado já tinha 373 votos na cidade em 2022. O crescimento para 744 coincide com o trabalho de Damaceno no mandato, estrutura que não estará a serviço dele em uma disputa própria.
Há também um detalhe partidário. Damaceno preside o PL em Casa Branca e trabalhou por um deputado do PSD. O PL elegeu a maior bancada da Assembleia Legislativa. Para 2028, o comando municipal da legenda define quem disputa pelo partido.
Governo com pouca presença nas urnas
A gestão do prefeito Duzão chega à metade do mandato enfrentando duras críticas da oposição, segundo lideranças políticas da cidade. O único nome do governo na lista, o secretário Serginho, levou 275 votos para Rômulo Rippa (PSD), que não aparece entre os eleitos do TRE-SP. O número representa cerca de 9% dos votos mapeados.
O resultado fica abaixo do tamanho da base que uma prefeitura costuma reunir. Uma gestão municipal conta com secretários, cargos de confiança, vereadores aliados e lideranças de bairro. Se esse grupo tivesse se concentrado em um único candidato, a votação tenderia a ser maior. Os 275 votos equivalem a cerca de 6% da votação da chapa de Duzão em 2024. O número indica que a base do governo não se mobilizou em torno de Rippa ou dividiu seus votos entre outros candidatos.
O vice-prefeito Colombini rompeu com o prefeito Duzão, seu companheiro de chapa em 2024, e atua na oposição. Ele apoiou Gilmaci Santos, eleito pelo Republicanos, partido de Tarcísio de Freitas, reeleito governador. O apoio aproxima Colombini da base estadual, com peso pequeno na votação do deputado.
PT com resultados opostos
Fabiana Sandoval teve o terceiro maior volume da cidade e apoiou um deputado eleito. Os 475 votos equivalem a 0,50% da votação de Luiz Fernando, o segundo maior peso entre as lideranças que apoiaram eleitos. Ela mantém um interlocutor na Assembleia, embora a votação do deputado na cidade tenha caído em relação a 2022. O ex-prefeito Marco César teve 337 votos, o quarto maior volume. Rui Falcão não aparece entre os 70 deputados federais eleitos por São Paulo. Marco César sai com voto próprio e sem aliado com mandato.
Casalli e Monteiro
Carlão Casalli apoiou o PL, partido da maior bancada estadual, e viu Auricchio entrar por média entre as últimas vagas. Na cidade, a votação do deputado caiu em relação a 2022. Marcos Monteiro apoiou um deputado federal eleito. Nos dois casos, a contribuição teve peso pequeno no resultado dos candidatos.
2028: oposição forte, mas sem centro
Seis nomes circulam como possíveis candidatos a prefeito: Thiago Damaceno, Antonio Serafim, Marco César, Marcos Monteiro, Carlão Casalli e o vice-prefeito Colombini. Os números de domingo favorecem quem está fora do governo. A divisão entre esses nomes pesa contra eles.
Damaceno e Serafim, os dois maiores resultados, são adversários. Monteiro faz oposição a Serginho. Colombini rompeu com o prefeito e também se coloca como alternativa, com a visibilidade do cargo e o risco de ser associado a uma gestão criticada. Não há hoje um nome que una a oposição.
Em cidades com menos de 200 mil eleitores, a eleição para prefeito tem turno único. Vence quem tiver mais votos. A eleição de 2024 mostra o efeito na prática. Duzão venceu com 33,51% dos votos válidos. Os três adversários somaram 66,49%, divididos entre Monteiro, Serafim e Damaceno. Com seis nomes de oposição em 2028, a divisão tende a ser maior, e um candidato do governo pode vencer com uma parcela pequena do eleitorado, mesmo com a gestão criticada.
Três fatores devem definir a disputa. Quem consegue atrair outros nomes da oposição. Quem será o candidato da situação, que ainda não tem nome. E como o eleitor vai receber a candidatura de Colombini, eleito na chapa do prefeito e hoje na oposição a ele.
Correção (7/10/2026): uma versão anterior desta reportagem informava que Luiz Fernando Teixeira (PT) teve 278 votos em Casa Branca, com apoio de Fabiana Sandoval. O número correto, segundo o TSE, é 475. Com isso, Fabiana passa a ter o terceiro maior volume entre as lideranças, à frente do ex-prefeito Marco César. O total das lideranças, os percentuais e a ordem do placar foram atualizados.
